28 de Setembro de 2013

"You don't live nowhere at all, mate."
THE NEW DEADWARDIANS
Dan Abnett & I.N.J. Culbard
Vertigo Comics, 2012
152 págs., tetracromia

1910. Há 50 anos que a humanidade convive com monstros. Num mundo atingido por uma pandemia que transforma humanos em zombies, os influentes sujeitam-se a uma cura tão monstruosa como a doença. 
Em “The New Deadwardians”, o Inspector-Chefe George Suttle vê-se a braços com a investigação do homicídio de um proeminente cuja causa de morte não se encontra entre as tradicionais da sua espécie, pois a cura a que se submeteram os ricos não é mais que o vampirismo e para essa condição conhecem-se bem as "soluções". 
O que poderia ser o habitual embate hollywoodesco "vampiros versus zombies" é evitado de forma elegante. A ameaça iminente dos mortos-vivos é pano de fundo, a verdadeira história é a de Suttle, um homem que lida com a perda da sua humanidade.
Ao longo da investigação somos apresentados a uma sociedade dividida por mais questões que as financeiras. De um lado, na Zona-B, os trabalhadores de colarinho azul, que se manifestam para obter melhores condições de vida; do outro, na Zona-A, a classe alta, à qual pertencem o protagonista e a vítima, cada vez mais distantes do que é ser humano, praticamente imortais, com a sua segurança garantida pela sua fisiologia alterada que também lhes traz "tendências" que podem ser controladas medicamente. 
É precisamente devido a estas tendências da vítima que Suttle tem a oportunidade de contactar com a "verdadeira humanidade" e se vê aos poucos capaz de a reconquistar em si. Entretanto, um enredo de policial de voltas e reviravoltas que envolve sociedades secretas, conspirações e magia.
Abnett desde o início da trama que adopta uma visão maioritariamente científica para a pandemia, a cura e a morte do vampiro. Essa visão perde vigor nas etapas finais da narrativa tendo que se recorrer a uma explicação mágica da morte que desilude e faz menos coesa a obra. As diferentes sugestões de resolução ao longo da história (a sociedade secreta, a substituição do pai pelo filho) acabam por ser mais interessantes que o final que obtemos - uma não tão típica história de vingança. O fim indicia continuidade e embora Abnett não tenha "tido pernas" para concluir de forma satisfatória, o miolo é cativante e faz querer conhecer mais este mundo.

14 de Setembro de 2013

"Don't trust the map."
JIM HENSON'S TALE OF SAND
Ramón Pérez
Archaia Entertainment, 2011
120 págs., tetracromia

Originalmente planeada para ser uma longa metragem, "Tale of Sand" acaba, quarenta e cinco anos após ter sido arquivada pelos seus criadores Jim Henson e Jerry Juhl, por ser adaptada ao formato graphic novel. Henson é conhecido pela criação dos Muppets (entre outros) e pelas suas colaborações com pessoas igualmente talentosas, se não tão conhecidas, como é o caso de Juhl.
"Tale of Sand" é uma alegoria. No meio do deserto, uma pequena cidade festeja efusivamente. Há música, bebidas e até palhaços. O nosso protagonista, Mac, encontra-se pelo meio das celebrações, parece ser de fora da cidade e estar confuso e desconfortável. Rapidamente é carregado em ombros até ao gabinete do xerife e é este que o irá instruir sobre o que tem a fazer. É-lhe dada uma mochila, um mapa, a chave da cidade e dez minutos de avanço. Só tem que chegar a determinado local para estar "salvo".
A seguir começa a corrida desenfreada, uma perseguição, muitas vezes explosiva, repleta de encontros caricatos com personagens que nem contextualizadas fariam sentido. Trata-se, afinal, de uma "comédia-drama surrealista".
Ramon Pérez aparece quase do nada para ilustrar esta multipremiada bd e é a sua arte que consegue fazer funcionar a narrativa ténue. Num guião com poucas palavras e pouca caracterização de personagens, maior ainda é a importância das expressões faciais e da linguagem corporal. Pérez explora diferentes técnicas de forma a representar da melhor forma as diferentes mudanças de ambiente e de atitude das personagens. É um livro bonito.
Quanto à alegoria, podemos dizer que "Tale of Sand" é sobre a vida. Um tema tão vasto só se pode abordar com algum humor e ridículo. Empurrado para o desconhecido com noções vagas do que se vai encontrar e descobrir que as coisas são mais esquisitas do que pensávamos; reconhecer que somos o principal obstáculo no nosso caminho e acabar mais ou menos como começámos. Soa mais ao menos ao que é a vida, só que esta é ainda mais surreal que o conteúdo deste livro.

Queria ainda agradecer a André Nóbrega pelo empréstimo do livro e, como bónus, podem ler a sua análise de "Tale of Sand" aqui.
 

7 de Setembro de 2013

"Hecho en CHINA. Pensado en EUROPA."
FAGOCITOSIS
Marcos Prior & Danide
Ediciones Glénat, 2011
120 págs., tetracromia

A fagocitose é o processo pelo qual determinadas células conseguem capturar e digerir partículas sólidas. No ser humano tem um papel na defesa do corpo contra microorganismos patológicos. As células capazes deste mecanismo envolvem, por exemplo, uma bactéria e depois, através da acção de um sistema "digestivo" primitivo, destroem-na. É, de certa forma, o equivalente a nível celular do acto de "devorar".
Comecemos pela capa. Na capa estão representados dois indivíduos de mão erguida, o seu gesto sugere que fazem parte de algum movimento, revolucionário ou não, as suas roupas indicam que têm posses, pertencem provavelmente à classe média-alta, a pender para a alta, acompanha-os um cão de raça caniche, que está associado a riqueza, e sorriem, o que sugere que estão do lado vencedor da revolução ou que, pelo menos, estão a ser beneficiados por ela. Por cima deles o logótipo  do livro espelha o símbolo da Mastercard®. Desta feita, os círculos não são do mesmo tamanho, as cores estão invertidas (o amarelo à esquerda e o vermelho à direita) e, mais tarde no livro, quando chegamos ao fim, primeiro na secção de design do logótipo, depois, finalmente, na contracapa, apercebemo-nos que o círculo maior está a ganhar terreno ao mais pequeno e que, com a proximidade, o segundo perde as suas qualidades (forma, cor) e que os limites desapareceriam por completo se a acção continuasse. O que se esperaria seria a obliteração total do círculo mais pequeno que seria "devorado" pelo maior. Como na fagocitose e como é descrita nestas etapas finais do livro, trata-se de uma "interacción celular entre desiguales".
"Fagocitosis" é um livro que aborda temas muito actuais: o capitalismo agressivo; o funcionamento do mercado financeiro; as políticas do prémio Nobel (dissecadas por Carl Sagan); técnicas de marketing metafísicas; as exigências cada vez mais absurdas para se conseguir um emprego; etc.
A forma como o faz é muito interessante, Marcos Prior opta por diferentes apresentações, desde uma página do YouTube, passando pelo percorrer de uma cidade num formato street view do Google Maps, até à estrutura mais típica de um policial, entre outros. Sempre com uma dose de humor e ironia e, de certa forma, algum desespero.
É sem dúvida o aspecto visual que mais chama a atenção nesta obra, a arte versátil de Danide consegue, sem aparente esforço, manobrar entre estilos gráficos, do mais realista a um traço simples reminiscente de Vázquez.
Uma temática algo pesada com uma aparência deslumbrante fazem desta a bd dos tempos modernos, é tudo muito bonito mas "há algo de podre no reino da Dinamarca". E seria verdade se a Dinamarca não fosse um país escandinavo mas sim um país do sul da Europa. Que não é.

29 de Agosto de 2013

AR PURO E ÁGUA FRESCA
Pero
Edições Polvo, 2013
128 págs., P&B
11,90 euros (com IVA)

Mais uma edição da Polvo. Pois bem, eis o que figura na nota de imprensa:

"O LIVRO
Filho de caçador, Joshua vê-se brutalmente órfão após o ataque à casa familiar por um grupo de índios. Terá então de aprender a sobreviver sozinho e a tornar-se adulto no ambiente vasto e rude das Montanhas Rochosas de meados do século XIX.
Nesta história, o autor coloca o seu traço elegante ao serviço de uma fábula inteiramente muda que conta a natureza selvagem dos grandes espaços e a natureza não menos frustrada dos homens.
Este é um western iniciático, trágico, com toques de humor, um romance que alia uma radicalidade gráfica e de argumento, que se mantém de uma extraordinária fluidez de fio a pavio, pois Pero escolheu o silêncio para deixar exprimir a força das ilustrações."

"O AUTOR
Originário de Grenoble, França, Pero, pseudónimo de Olivier Peret, começou por estudar Desporto antes de ingressar na Academia de Belas-Artes de Tournai. Acabados os estudos, dedicou-se de corpo e alma à criação e animação da revista “Cheval de Quatre”. Vive em Lille.
Com “Ar puro e água fresca”, a sua primeira obra enquanto autor completo, Pero aceita o desafio de uma história muda, onde revela um belo domínio gráfico e narrativo."

7 de Agosto de 2013

"They all blended to expose the entrance to RIPPLE."
RIPPLE
A PREDILECTION FOR TINA
Dave Cooper
Fantagraphics Books, 2003
120 págs., P&B

Originalmente contada nas revistas Weasel 1 a 5, publicadas pela Fantagraphics entre 1999 e 2002, Ripple é a história de um ilustrador de contos infantis que consegue obter uma bolsa para realizar uma exposição de conteúdo erótico. Frustradas as suas tentativas de contratar modelos "normais" recorre a mulheres menos "típicas". É assim que conhece Tina, uma adolescente problemática com excesso de peso e "...feia" que inicia uma relação com a personagem principal. O livro explora esta relação, a sua dinâmica de poder e a forma como esta evolui e se inverte.
Ripple refere-se ao conceito do protagonista sobre o movimento da pele em câmara lenta, é também o nome que dá ao momento único onde ele e Tina puderam explorar, sem tabus, os limites da interacção sexual, afastados da realidade normativa.
Dave Cooper já não faz bd regular há algum tempo, optou por explorar outros terrenos artísticos. Os Weasel mais recentes são de maior base ilustrativa que de bd, o que faz algum sentido já que Cooper é um exímio ilustrador, o seu traço é dinâmico e enérgico e desconfortável, fazendo-me lembrar uma animação de Bill Plimpton que só existe na cabeça do leitor. E este é só um dos estilos de Cooper que tem mais à sua disposição!
Relativamente à narrativa, fora os momentos de erotismo e de conteúdo sexual, não há grande "excitação", as personagens parecem-me subdesenvolvidas e não há grande moral a tirar embora esse pareça ser o objectivo do autor. O que é fica é a vontade de ler a(s) outra(s) face(s) (ainda mais bizarras) do trabalho de Cooper.

4 de Agosto de 2013

"Variety is the spice of life."
THE MAN WHO LOVED BREASTS
Robert Goodin
Top Shelf Productions, 2008
32 págs., P&B

Não se deixem enganar pelo título que podia ser da biografia da grande maioria dos indivíduos do género masculino, Robert Goodin tem outros planos para além de explorar uma das inúmeras obsessões do homem sexualmente activo.
Cada uma das histórias desta bd é sobre um indivíduo desajustado que lida com a sua desadequação de formas mais ou menos funcionais, nem sempre felizes mas sempre hilariantes.
Na história titular, “The Man Who Loved Breasts”, o protagonista vê-se a braços com a rotina do trabalho, o desânimo e oportunidades profissionais perdidas que o motivam a procurar fazer o que realmente ama mas que, inevitavelmente, não consegue lutar contra a mudança de paradigmas numa sociedade em constante mudança. Mesmo assim com final feliz.
Segue-se “George Olavatia: Amputee Fetishist”, uma história que se passa ao balcão de doação de uma clínica de fertilidade (com direito a referência a Aldous Huxley) com um doador diferente nas suas preferências sexuais e um empregado algo obtuso.
Por último, "A 21st Century Cartoonist in King Artur's Court"  é um relato irónico da história batida do viajante no tempo que usa os seus conhecimentos do futuro para se sobrepor aos "primitivos". A mais corrosiva das três histórias (com uma pitada de autocomiseração?) que nos faz questionar sobre o nosso papel na sociedade e a nossa completa ignorância sobre como as coisas funcionam à nossa volta.
Com um desenho cuidado e boas sequências, "The Man Who Loved Breasts" conta com o sentido de humor apurado de Goodin que realça o absurdo dos lugares-comuns que andamos há anos a forçar-nos a acreditar para manter aquele resquício de sanidade. Mas um pouco de loucura não faz mal a ninguém, pois não?

1 de Agosto de 2013

"The Fez will return!"
THE FEZ
Roger Langridge
Hotel Fred Press, 2013
10 págs., P&B

Roger Langridge é um cartunista veterano neozelandês que tem feito um pouco de tudo. No Reino Unido trabalhou nas instituições que são o Judge Dredd e o Doctor Who, nos Estados Unidos anda, actualmente, com o Popeye debaixo do braço e já passou pelo Thor e pelos Muppets, sem falar dos seus projectos pessoais como Snarked! e Fred the Clown. Sempre com um humor simpático, sempre com críticas positivas mas também sempre sem o proveito e, se pensarmos bem, sem a fama.
The Fez é uma bd curta e divertida cujo protagonista é o arquétipo do herói pulp: um vigilante que luta contra o crime com características que o fazem mais do que o comum dos mortais, neste caso, a invisibilidade, o barrete mourisco que lhe dá o nome e um monóculo dignificante que acompanha um sentido sobrenatural de elegância.
Neste primeiro volume das suas aventuras somos apresentados a uma galeria de inimigos singulares, ao dilema que estes enfrentam (particularmente um deles) por terem o Fez como adversário e ao poder intoxicante e transformador da realidade de substâncias que podem tornar o mais virtuoso dos heróis na escumalha da sociedade, por fim, a promessa do regresso do herói para nos ensinar as suas qualidades e aos seus antagonistas a admiração e temor que tanto merece. Portanto, não percam o próximo episódio porque nós também não!

30 de Julho de 2013

"i just can't deal with your drama anymore!"
LOSE #4
Michael DeForge
Koyama Press, 2012
44 págs., P&B

A obra de Michael DeForge é uma de estranho desconforto. As histórias que nos conta têm uma ligação ténue à nossa realidade, com uma lógica e atitudes muito próximas às nossas mas com diferenças bizarras, até grotescas, e completamente naturais. O nosso desconforto é o de quem sabe que há algo de errado nessa naturalidade mas não consegue apontar bem o quê.
Lose é a one-man anthology à laia dos autores independentes americanos dos anos 90 que DeForge começou em 2009. Este quarto número, auto-intitulado "The Fashion Issue", é uma mistura de estilos e formatos que representa bem o que DeForge tem vindo a desenvolver ao longo da sua curta mas muito produtiva carreira. Tangencialmente relacionadas com o tema, temos narrativas que: prestam homenagens distorcidas a outras personagens de bd ("Queen Video"); são sobre doenças que aos poucos substituem o corpo humano por um tecido muito semelhante à indumentária associada ao sadomasoquismo ("Someone I know") ou que fazem que toda a vida animal, humana ou não, tenha a cara de uma adolescente específica ("The Sixties"); exploram os hábitos e costumes da família real canadiana (Canadian Royalty: their lifestyles and fashions) e, finalmente, numa sucessão de tiras curtas falam, talvez, sobre auto-percepção ("Abbey Loafer").
A temática da transformação corporal e da auto-imagem e rebelião contra o que somos parecem atravessar todas as histórias. O que se destaca é precisamente a abordagem escolhida, nunca linear e, repito, algo desconfortável para o leitor. O estilo de desenho varia ao longo do livro e adapta-se a cada história, normalmente simplificado e imediato mas, por vezes, capaz de um pormenor obsessivo que, embora não acrescente muito ao enredo, ajuda à ambientação, contribuindo especialmente o seu excelente uso de contrastes.
DeForge é um nome que tenho ouvido incessantemente estes últimos anos, sempre pela positiva, seja pela crítica mais "séria", por outros autores que admiro ou devido às suas múltiplas nomeações para vários prémios de bd, para além de ser designer numa das minhas séries de animação favoritas - Adventure Time. Ele está à cabeça da nova leva de autores de bd independente norte-americana e parece-me ser uma posição merecida. Contudo, a verdade é que ainda não me convenceu completamente embora, à velocidade que produz material novo e também pela sua idade jovem, tenha mais do que tempo para o fazer.

18 de Julho de 2013

"Git! Or tonight I'll dine on goat stew!"
SABERTOOTH SWORDSMAN
Damon Gentry & Aaron Conley

Dark Horse Comics, 2013
99 págs., P&B

O mercado digital da bd está em crescendo e a Dark Horse não perdeu tempo e já tem a sua própria loja online com conteúdo exclusivo. Sabertooth Swordsman and the Mayhem of the Malevolent Mastodon Mathematician (título completo e nada aliterativo) é uma dessas bds que ainda este ano terá direito a ser publicada em toda a sua glória num formato físico de luxo. 
Trata-se da história típica do falhado tornado herói que enfrenta inúmeros perigos sobrenaturais para poder recuperar a sua amada das garras de um mal superior. Nada de novo, portanto.
Esta é a mais nova versão do herói  felino de turbante e sapatos pontiagudos criado pelo duo Damon Gentry e Aaron Conley que já tinham uma versão preliminar desta história que podem ler aqui. Desta vez, temos mais páginas,  um estilo gráfico mais refinado e a mesma acção trepidante e sentido de humor a tender para o absurdo. 
Apesar da história ser um pouco linear, as tiradas humorísticas e a acção explosiva acabam por nos conquistar e o desenho de Aaron Conley que, admito, não será para todos (especialmente a preto e branco), é pormenorizado e enérgico.
Sabertooth Swordsman é uma bd divertida que não quer fazer pensar e que surpreende ligeiramente pelo seu fim algo trágico mas que acaba por denunciar a esperança de serialização que, não duvido, será bem-sucedida. 
Se estiverem interessados podem encontrar os 6 volumes, no sítio da Dark Horse Digital, pela módica quantia de, aproximadamente, 4,52 euros.

15 de Julho de 2013

"This is how an idea becomes real."
SAGA VOLUME 1
Brian K. Vaughan & Fiona Staples
Image Comics, 2012
160 págs., tetracromia, capa mole

A segunda mais recente bd (em breve falarei de The Private Eye) de Brian K. Vaughan é uma space opera com traços shakespearianos. 
Na periferia da galáxia um planeta e a sua lua estão em guerra, dois soldados das facções opositoras apaixonam-se e têm uma filha, esta nova família vê-se perseguida por razões desconhecidas e esta é a história da sua fuga. Nem todos sobreviverão.
Mais uma aposta da Image Comics no terreno do Fantástico, desta vez não enveredamos pela ficção científica pura, a magia coexiste com a ciência neste universo, com naves espaciais lado a lado com personagens que têm a aparência de que podiam ter saído de um conto de fadas ou de um livro sobre mitologia greco-romana.
O principal atractivo do livro, contudo,  não se prende só no seu aspecto visual, embora o desenho de Fiona Staples, se à partida me parecia um pouco rígido (já dizia o poeta, "primeiro estranha-se, depois entranha-se"), dê imenso à narrativa e, ainda por cima, melhore com o tempo; são as personagens, melhor dizendo, as personalidades criadas por Vaughan que dão o brilho ao livro, especialmente os supostos vilões, e que fazem com que uma história com momentos surpreendentemente estranhos, até bizarros, sejam, também, surpreendentemente credíveis.

15 de Março de 2013

RUGAS
Paco Roca
Bertrand Editora, Março 2013
104 págs., tetracromia
16,60 euros

Em continuidade com as apostas seguras de editoras sem grande tradição na publicação de bd, chegou hoje às lojas, pela mão da Bertrand Editora, a tradução portuguesa de "Arrugas" de Paco Roca. Multipremiada e já com uma adaptação ao cinema de animação, "Rugas" é a história de Emílio, um idoso que se vê internado num lar de idosos após desenvolver a doença de Alzheimer. Para um flashback doloroso, é só clicar na imagem.