29 de Setembro de 2014
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| ""S." "H." "A"..." |
Grant Morrison & Frank Quitely
Vertigo Comics, 2012
112 págs., tetracromia, capa dura
Grant Morrison é uma figura de renome na banda desenhada norte-americana. O escritor escocês salientou-se pelas suas narrativas complexas, com laivos meta-literários e pelo seu amor incondicional pelos super-heróis.
Flex Mentallo tem um lugar de destaque na sua obra extensa. A mini-série de quatro números, publicada pela Vertigo Comics em 1996 (uma linha editorial criada pela DC Comics para ser espaço de criação de histórias com conteúdos mais adultos que não acedessem ao código de auto-censura estabelecido inicialmente nos anos 50), é uma verdadeira apologia aos super-heróis.
Por um lado, Flex Mentallo é uma reacção visceral à banda desenhada de super-heróis influenciada pela desenvolvida nos anos oitenta encabeçada por Alan Moore (Swamp Thing e Watchmen) e Frank Miller (The Dark Knight Returns) e claramente mal interpretada pelos seus epígonos que confundiram temas adultos com acção ultra-violenta e sexo.
O protagonista Flex Mentallo é um super-herói no qual revemos as aspirações da chamada Golden Age of Comics (nos finais dos anos quarenta até ao princípio dos anos cinquenta, os super-heróis vendiam milhões de números por mês. O facto da banda desenhada para os norte-americanos ser uma "indústria" acusa a atitude mercantilista por detrás do termo golden), seja pela sua aparência física, típica do homem forte do circo, como pela sua atitude inocente e idealista - "um escuteiro", como é descrito pelo seu inimigo Hoaxer, uma espécie de mistura entre Lex Luthor e Edward Nigma. A vertente da história que acompanha a aventura de Flex é plena de referências à mitologia super-heróica e à sua evolução ao longo destes 50 anos e denuncia violentamente o enviesamento para narrativas, literalmente, cada vez mais adolescentes, saturadas de violência física e sexualidade forçada.
Por outro lado, Flex Mentallo é expressão da filosofia pessoal de Morrison, que se vê como um shaman capaz de alterar a realidade através de elementos figurativos - sigilos - e que vê na banda desenhada a representação de outros mundos, reais e arquetípicos, situados em planos de existência diferentes dos nossos e como núcleo de influências. Esta visão do mundo informa as narrativas de Morrison e fundamenta os temas recorrentes da sua obra, nomeadamente: a existência de mundos paralelos, a bd como "droga" que altera a percepção e a figura do super-herói como ideal (como se vê no seu projecto mais recente, Multiversity), aliás, como mais autêntico que o nosso mundo "incompleto".
O outro protagonista do livro, um músico relativamente bem sucedido, incapaz de se relacionar sem ser superficialmente e que, após uma tentativa de suicídio, se vê a relembrar o que é realmente importante - a bd que fez em criança (Flex é uma das suas criações de infância que se tornou real para salvá-lo) e o que ela pode trazer a este mundo decepcionante. Julgo que esta personagem se trata do avatar de Morrison, aquele que descobre a verdade sobre o universo e que acaba por se sacrificar para trazer a boa nova a todos. Há algo de auto-comiserativo na personagem que acaba por se tornar narcísico.
Com Morrison nesta meta-aventura, um companheiro de longa data com o qual ainda iria colaborar muitas outras vezes (The Invisibles, We3, All-Star Superman, etc.), Frank Quitely, cujo o estilo gráfico impressiona sempre, um "feio bonito" que, quando quer, mimetiza os estilos de outros grandes nomes, o que se evidencia, por exemplo, na capas de cada um dos números da mini-série (e aquele Kirby descarado...). Quitely é genial. Ponto final.
Para finalizar, algumas coisas que me chamaram a atenção no livro principalmente por terem piada: o nome da personagem titular é um piscar de olhos ao leitor; ironicamente, os indivíduos que reconhecem a existência de super-heróis na história sofrem todos de algum tipo de defeito - loucura, toxicodependência ou alcoolismo - que os coloca à parte da sociedade "ignorante"; o vómito no peito do segundo protagonista funcionando como símbolo ao jeito dos super-heróis; por último, a palavra mágica que o protagonista diz (qual Captain Marvel) antes da sua transformação.
Recomendo este livro a quem o quiser ler, especialmente se tiver algum conhecimento da mitologia dos super-heróis, tantas são as pequenas "jóias" encontradas no livro. 5 estrelas.
September 24, 2014
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| "You can die right here, or you can be reborn." |
Steve Orlando & Artyom Trakhanov
Image Comics, 2014
192 pages, cmyk, digital
Undertow is yet another good sci-fi offering from Image Comics.
Redum Anshargal is a revolutionary. Rebelling against the rigid atlantean society he seeks a new way of life for his people. That belief takes him and his crew to a harsh environment - the surface world - inhabited by a primitive but resourceful opponent - the human race - that is being manipulated by the one being that might help Redum achieve his goal.
Steve Orlando's atlantean epic is set apart from other adventure comics precisely because of its natural if unintended political overview. The excelent cast revolves around Redum but is independent in terms of agenda and personality. Redum's position is similar to "our" own revolutionary figures, he has a past that is fairly hinted at but still misterious and has a target on his back that makes us question the other characters' intentions since they may have been sent by the atlantean powers that be to eliminate him. There is a lot to explore and the reader's interest is easily piqued.
Artyom Trakhanov's art has an expressive vibe to it, specially his colors, that improves throughout the book. His characters are recognizably unique and he gives the story a traditional sci-fi feel with a well developed design sense.
On par with Trakhanov's art are Yaroslav Astapeev's striking lines (in the "Epilogue" and "The Last Gig" segments) that hopefully will return to the book or, even better, find a well deserved place of their own in another comic.
The main story is backed up by shorter tales that star different characters of the Undertow universe, trying to explore other aspects - historical, sociological and even philosophical - of the atlantean society. Unfortunately, they add little to the reader's enjoyment of the primary narrative.
If you like epic sci-fi adventures with a world of their own and a greater depth to their story, Undertow is for you.
P.s.: This book was read through NetGalley. Once again (Displaced Persons suffered from the same), the image quality made the reading at some points (most notably the "The Last Gig" story) very difficult. This choice is understandable since piracy is a major concern in any digital medium, but how can you ask someone to review something if that person doesn't have the conditions to do it?
19 de Setembro de 2014
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| "...we will rise again." |
Rick Remender & Greg Tocchini
Image Comics, 2014
31 págs., tetracromia, floppy
Há pouco mais de 10 anos a ficção científica parecia não ter lugar nos comics americanos, os poucos exemplos com qualidade pareciam relegados às estantes dos entendidos do género.
O recente "segundo advento" da Image Comics trouxe consigo alguns títulos de ficção científica interessantes e Rick Remender é um dos homens do leme desta nova vaga (já em 2005 andava a escrever Fear Agent que acabou por vingar tanto por persistência como por qualidade). Desta feita, Remender apresenta-nos Low, uma história de ficção científica passada num ambiente subaquático.
A espécie humana está novamente a beira da extinção, o sol está a expandir e o refúgio da radiação crescente é encontrado na profundidade dos oceanos.
Os Caine são os líderes de uma comunidade nómada que procura uma "terra" prometida improvável. As contrariedades são muitas mas o fardo é suportável com o auxílio do Helm Suit, um exosqueleto codificado geneticamente de uso exclusivo da família Caine. Mas quando o fato é alvo de um ataque por piratas que podem fazer os Caine?
Os Caine são os líderes de uma comunidade nómada que procura uma "terra" prometida improvável. As contrariedades são muitas mas o fardo é suportável com o auxílio do Helm Suit, um exosqueleto codificado geneticamente de uso exclusivo da família Caine. Mas quando o fato é alvo de um ataque por piratas que podem fazer os Caine?
Relativamente à escrita e enredo, o diálogo é engraçado, há uma série de perguntas e referências que existem para aguçar apetites e dar uma ideia de um universo maior por detrás de uma narrativa que acaba por ser algo familiar.
Remender é sempre bem acompanhado. Greg Tocchini traz muito estilo à história, com um excelente design da cidade e dos veículos. Uma crítica que se pode fazer ao desenho tem a ver com a caracterização das personagens que são algo semelhantes em termos de expressão facial. Este pormenor que por vezes falta ao traço de Tocchini é parcialmente compensado pelas suas cores que, infelizmente, por vezes, chegam a ser um pouco opressivas, podendo ter optado por uma palete menos garrida.
Para um primeiro número há muito para digerir e acaba de forma a que o leitor queira ler o próximo, portanto, cumprindo de forma competente o seu principal objectivo. A acompanhar.
5 de Setembro de 2014
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| "...but I won't be in his debt." |
Dan Abnett & I.N.J. Culbard
Dark Horse Comics, 2014
22 págs., tetracromia, floppy
A paz não é só um desejo esperançoso proferido por uma miss ofuscada pelos holofotes, é também angústia e miséria para aqueles que vivem de esmagar crânios com espadas rombas e pesadas.
Um grupo de mercenários medievais percorre uma paisagem bucólica, a vida entre as campanhas é difícil e a fome começa a sobrepor-se à moral, o conflito é forma de subsistência e os céus estão prestes a responder às preces resignadas do grupo. Literalmente.
"Dark Ages" é uma espécie de "Guerra dos Mundos" quinhentos anos antes.
É uma leitura demasiado rápida, o conflito é a principal força motriz da história e a principal função deste primeiro número é levantar questões. Há uma tensão religiosa subjacente ao texto, por um lado temos soldados com uma atitude quase ateísta motivada por uma vivência de privações e de morte, por outro, procuram auxílio num mosteiro que é mais do que parece pois aguardava a chegada dos visitantes - os de outros mundos. Não sei se associar os adeptos religiosos às monstruosidades destrutivas será uma crítica pouco subtil à religião. Vamos ver.
A simplicidade também se encontra no plano visual, os desenhos limpos de Culbard poderão não ser do agrado de todos (não é o meu caso), especialmente daqueles que procuram os pormenores macabros de uma amputação.
Julgo tratar-se, muito provavelmente, de uma história que poderia ser contada em menos páginas e que ficaria muito bem na revista britânica 2000 AD. Não estou a ver um público americano a perder muito tempo com esta bd tendo em conta as muitas e boas alternativas que tem agora à sua disposição.
"Dark Ages" é uma espécie de "Guerra dos Mundos" quinhentos anos antes.
É uma leitura demasiado rápida, o conflito é a principal força motriz da história e a principal função deste primeiro número é levantar questões. Há uma tensão religiosa subjacente ao texto, por um lado temos soldados com uma atitude quase ateísta motivada por uma vivência de privações e de morte, por outro, procuram auxílio num mosteiro que é mais do que parece pois aguardava a chegada dos visitantes - os de outros mundos. Não sei se associar os adeptos religiosos às monstruosidades destrutivas será uma crítica pouco subtil à religião. Vamos ver.
A simplicidade também se encontra no plano visual, os desenhos limpos de Culbard poderão não ser do agrado de todos (não é o meu caso), especialmente daqueles que procuram os pormenores macabros de uma amputação.
Julgo tratar-se, muito provavelmente, de uma história que poderia ser contada em menos páginas e que ficaria muito bem na revista britânica 2000 AD. Não estou a ver um público americano a perder muito tempo com esta bd tendo em conta as muitas e boas alternativas que tem agora à sua disposição.
September 1, 2014
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| "No colaboration. No capitulation." |
Greg Rucka & Michael Lark
Image Comics, 2014
104 pages, cmyk, digital
The second volume of Lazarus continues to explore the dystopian future where the stratification of society is taken to an extreme.
"Lazarus" is the story of Forever "Eve" Carlyle, a genetically engineered human whose sole purpose is the protection of her family, one of the elites that control society. Eve is starting to doubt her place in the world, specially after receiving a message that sugests that she is being tricked into believing that the Carlyles are her true family. But that seems to be a notion that will be further explored in upcoming volumes.
In this volume the focus is cast upon the Barrets, a family of "waste" (the caste in the lower strata of society) and their struggles to make a living in a world where resources are manipulated by a small group of people and where they can be taken hostage by their whims and desires. After losing most of their possessions due to a natural disaster, their only chance to survive is entering the "Lift", a process where through extensive and rigorous tests, a few of the "waste" can rise in social significance by becoming "serf", the servants of the upper families. For this chance they are willing to sacrifice everything, and unfortunately for the Barrets, at a greater cost than expected. But not all "waste" are willing to participate in what is a clear mechanism of social control and see the "Lift" as an opportunity to strike back at their oppressors.
Another element of this book, we delve further into Eve's relationship with her father and sibblings, particularly her sister Johanna, and understand that, very much like the lower caste, the elite also have their parts to play in the name of family.
Rucka is an excelent all-around writer and Lark is an amazing artist with his realistic but unstilted representations that are flawless in conveying motion and emotion. I just can't praise this book enough.
If you're into post-apocalyptic stories with a heart, this is your book.
August 31, 2014
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| "I guarantee there's a "why"." |
Derek McCulloch & Anthony Peruzzo
Image Comics, 2014
168 pages, cmyk, digital
The past exists through memory, there are a few things we know about it: it can be our connection to others; remembering it is crucial to avoid repeating mistakes; knowing about it can give us a better understanding of where we're heading.
"Displaced Persons" is as much about the past as it is about family.
Strange disappearances afflict the Martinez-Abramowitz-Price-Hayes-Schroeder family (read the comic, you'll get what I'm saying and why I chose this particular order) throughout its history, people seem to disappear into thin air without explanation, leaving behind grieving and broken others. But life goes on, as it should.
There's a lot to understand about "Displaced Persons", it's an entertaining comic and can be read as such, but it is also an incredibly intelligent and layered read. Derek McCulloch's achieves a sort of reverberation by the way he sets up certain "notes" that are replayed along the story, giving them a stronger and deeper meaning. Also, great dialogue and characters (one of these days I have to write something about Davy Abramowitz and his greater meaning in the book) and a solid internal logic that forces the reader to think if he/she chooses to.
Anthony Peruzzo's art is beautiful, earthy and subtly consistent, specially in terms of facial representation. There are a couple of pages that have an unfortunate layout and the reader's eyes drop to the next strip before finishing the first one, but once you get used to that choice it rarely occurs again.
But what makes you take notice about Peruzzo is his colouring, at first seemingly subdued, then you realize that it serves narrative purposes and everything makes sense.
"Displaced Persons" is a moving and, again, intelligent read and everyone should read it.
30 de Agosto de 2014
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| "He was there." |
Tim Seeley, Mike Norton & Mark Englert
Image Comics, 2012
128 págs., tetracromia, digital
A pequena cidade de Wausau, no interior do Wisconsin (E.U.A., claro), viu-se a braços com um fenómeno de proporções bíblicas: os mortos estão a voltar à vida. Parece ser um evento localizado e as autoridades estão a fazer o possível para controlar a situação e impedir o pânico geral.
Ao contrário do que seria de esperar, a figura do zombie tarda a surgir, as pessoas ressuscitadas parecem manter-se como eram em vida.
Como reagir quando um nosso familiar regressa? Devemos encará-lo como uma segunda oportunidade ou devemos prestar atenção àquele receio provocado pelo que sabemos não ser natural ?
O ponto mais forte desta bd é precisamente este explorar das diferentes situações que advêm da ressurreição. Não é um fenómeno milagroso que apaga a vida antes da morte. A imortalidade pode ser um preço pesado a pagar quando a morte foi cura para sofrimento atroz.
Eventualmente as coisas acabam por descambar e alguns destes recentes "lázaros" começam a acusar esta nova vida.
"Revival" tem um elenco, ambiente e ritmo que podiam muito bem pertencer a uma série de televisão e se calhar foi por esse sentimento provocado em mim - o de que se tratava de uma "bd para tv" - que me dificultou a leitura deste livro. Desenganem-se aqueles que acham que isso significa que é uma má banda desenhada, não é, as personagens são complexas, tem um enredo interessante e misterioso e o aspecto visual é bem desenvolvido. É questão de gosto pessoal e de ter tido a ideia estúpida de ler as bds do Humble Bundle todas seguidas e ainda me faltar uma (Chew, relativamente a Saga já tinha escrito algo).
Se há no leitor aquele vício de quem devora episódios de séries de tv com tendências sobrenaturais e/ou fantásticas, esta é uma bd a ler.
Ao contrário do que seria de esperar, a figura do zombie tarda a surgir, as pessoas ressuscitadas parecem manter-se como eram em vida.
Como reagir quando um nosso familiar regressa? Devemos encará-lo como uma segunda oportunidade ou devemos prestar atenção àquele receio provocado pelo que sabemos não ser natural ?
O ponto mais forte desta bd é precisamente este explorar das diferentes situações que advêm da ressurreição. Não é um fenómeno milagroso que apaga a vida antes da morte. A imortalidade pode ser um preço pesado a pagar quando a morte foi cura para sofrimento atroz.
Eventualmente as coisas acabam por descambar e alguns destes recentes "lázaros" começam a acusar esta nova vida.
"Revival" tem um elenco, ambiente e ritmo que podiam muito bem pertencer a uma série de televisão e se calhar foi por esse sentimento provocado em mim - o de que se tratava de uma "bd para tv" - que me dificultou a leitura deste livro. Desenganem-se aqueles que acham que isso significa que é uma má banda desenhada, não é, as personagens são complexas, tem um enredo interessante e misterioso e o aspecto visual é bem desenvolvido. É questão de gosto pessoal e de ter tido a ideia estúpida de ler as bds do Humble Bundle todas seguidas e ainda me faltar uma (Chew, relativamente a Saga já tinha escrito algo).
Se há no leitor aquele vício de quem devora episódios de séries de tv com tendências sobrenaturais e/ou fantásticas, esta é uma bd a ler.
3 de Agosto de 2014
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| "...go to Hell." |
Ed Brubaker, Sean Phillips & Dave Stewart
Image Comics, 2012
144 págs., tetracromia, digital
A parceria entre Brubaker e Phillips é de longa data, desde 2002 que colaboram em diversos projectos (Sleeper, Criminal, Incognito), todos eles com algum pendor para a estética policial.
"Fatale" é o mais recente projecto dos dois autores e não escapa a essas tendências. O título faz referência ao arquétipo femme fatale, personagem típica dos filmes policiais noir americanos dos anos 40 e 50, uma mulher capaz de manipular os membros do género oposto (muitas vezes o detective privado protagonista) recorrendo aos seus dotes feminino de forma a alcançar os seus objectivos normalmente menos "puros". Este tipo de personagem acabou por se tornar um cliché e não há pastiche recente que não a inclua ou uma sua variação.
Este "Fatale" pega nesse conceito e acrescenta-lhe uma camada de sobrenatural.
Nicolas Lash dá consigo gestor dos bens de Dominic Raines, amigo do seu pai e escritor de policiais medíocres. No funeral de Raines, Nick conhece Jo, uma mulher cuja presença a partir desse momento o domina completamente. Quando organizava os documentos de Raines, Nick descobre um manuscrito - um primeiro policial inédito - que relata acontecimentos muito estranhos envolvendo uma mulher chamada Josephine.
"Fatale" é uma leitura com um ritmo e ambientes óptimos - um policial com toques lovecraftianos que é elevado pela arte acetinada de Sean Phillips e Dave Stewart.
Aconselhado aos fãs tanto do género policial como aos do "culto de Lovecraft" e também a quem simplesmente gosta de coisas bonitas.
"Fatale" é o mais recente projecto dos dois autores e não escapa a essas tendências. O título faz referência ao arquétipo femme fatale, personagem típica dos filmes policiais noir americanos dos anos 40 e 50, uma mulher capaz de manipular os membros do género oposto (muitas vezes o detective privado protagonista) recorrendo aos seus dotes feminino de forma a alcançar os seus objectivos normalmente menos "puros". Este tipo de personagem acabou por se tornar um cliché e não há pastiche recente que não a inclua ou uma sua variação.
Este "Fatale" pega nesse conceito e acrescenta-lhe uma camada de sobrenatural.
Nicolas Lash dá consigo gestor dos bens de Dominic Raines, amigo do seu pai e escritor de policiais medíocres. No funeral de Raines, Nick conhece Jo, uma mulher cuja presença a partir desse momento o domina completamente. Quando organizava os documentos de Raines, Nick descobre um manuscrito - um primeiro policial inédito - que relata acontecimentos muito estranhos envolvendo uma mulher chamada Josephine.
"Fatale" é uma leitura com um ritmo e ambientes óptimos - um policial com toques lovecraftianos que é elevado pela arte acetinada de Sean Phillips e Dave Stewart.
Aconselhado aos fãs tanto do género policial como aos do "culto de Lovecraft" e também a quem simplesmente gosta de coisas bonitas.
2 de Agosto de 2014
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| "The hour of our release draws near." |
Nick Spencer & Joe Eisma
Image Comics, 2011
188 págs., tetracromia, digital
Morning Glories é uma escola preparatória de renome que usa métodos educativos pouco tradicionais. Uma nova leva de alunos chega à escola e rapidamente descobre que há uma linha ténue entre a fama e a infâmia.
Um livro que declara as suas influências a alta voz (referências a Grant Morrison, Peanuts, Lost e outros são muitas e denunciam intenção), Morning Glories tenta incutir mistério e estranheza ao seu enredo acabando por fazê-lo de uma forma pouco eficaz.
O grande problema deste primeiro volume tem a ver com a quantidade de ideias e enigmas que não são devidamente explorados, quando o leitor se depara com uma nova questão, não tem tempo para pensar sobre ela porque é logo assaltado por uma nova dúvida, um novo mistério. Este tipo de abordagem cria sérios problemas de ritmo e acaba por não permitir ao leitor valorizar os momentos-chave que Spencer quer salientar.
As personagens são puros estereótipos, variações do que se pensa que um adolescente americano pode ser e embora haja alguns vislumbres de personalidades menos genéricas, esses momentos são poucos e breves.
Os diálogos são um pouco atabalhoados, carregados de texto expositivo e humor pouco subtil.
A arte é competente sem ser deslumbrante, Eisma consegue ser consistente na sua representação de cada uma das personagens e é essa consistência que permite a Spencer colocar mais perguntas em jogo (por exemplo, quando Jun é apanhado em flagrante).
Nick Spencer acusa um pouco a pressão nesta sua primeira série mensal. O seu plano é fácil de compreender, quer desenvolver uma banda desenhada ao nível de Lost mas, infelizmente, estes primeiros números não conseguem captar a mítica dessa série televisiva.
Fica a curiosidade de ler o segundo volume para perceber se Spencer consegue colocar a história nos eixos porque há muito potencial em jogo.
31 de Julho de 2014
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| "And then it all changed." |
Warren Ellis & Tula Lotay
Image Comics, 2014
27 págs., tetracromia, floppy
Ao que parece o universo de Supreme sofreu mais uma "revisão". Embora o escreva no sentido literal, refiro-me também ao conceito introduzido por Alan Moore no número 41 de Supreme (Agosto de 1996). O fenómeno descrito por Moore é uma homenagem inteligente aos comics da Silver Age quando praticamente todos os meses eram introduzidos novos elementos - muitas vezes contraditórios - na personalidade e continuidade narrativa das personagens. O mandato de Moore à frente de Supreme estava repleto destes pormenores que recontextualizavam uma personagem que era basicamente um Super-Homem violento (mais originalidade da parte de Rob Liefield), aproximando-o tematicamente à mitologia original.
Desta feita é Warren Ellis que assume o leme de Supreme e inicia a sua revisão. Essencial a uma "revisão", segundo Moore, é a manutenção das personagens podendo ou não haver uma reformulação dos seus papéis.
Diana Dane é uma jornalista desempregada assombrada por sonhos peculiares que é contratada por Darius Dax para investigar um mistério. Como Darius explica, o seu trabalho lida com "rosas azuis", ou seja, ocorrências não naturais. Supreme é um acontecimento sem explicação e há quem pague muito bem para obter informações relacionadas com esse evento. Começa a aventura.
Ainda mais interessantes são os visuais espectaculares de Tula Lotay, cuja linha delicada, cores pálidas e rabiscos azuis adornam todas as páginas fazendo pensar em bd amarelada pelo tempo, há muito riscada por crianças, reiterando a ligação nostálgica com o passado.
Com um primeiro número que apresenta novidades e pisca o olho à encarnação anterior (não confiar em Darius Dax e a representação de Zayla Zarn), "Supreme Blue Rose" vem reforçar a noção de que uma construção sólida precisa de bons alicerces. Neste caso particular, ironicamente, essas bases são a continuidade anterior da personagem.
Desta feita é Warren Ellis que assume o leme de Supreme e inicia a sua revisão. Essencial a uma "revisão", segundo Moore, é a manutenção das personagens podendo ou não haver uma reformulação dos seus papéis.
Diana Dane é uma jornalista desempregada assombrada por sonhos peculiares que é contratada por Darius Dax para investigar um mistério. Como Darius explica, o seu trabalho lida com "rosas azuis", ou seja, ocorrências não naturais. Supreme é um acontecimento sem explicação e há quem pague muito bem para obter informações relacionadas com esse evento. Começa a aventura.
Ainda mais interessantes são os visuais espectaculares de Tula Lotay, cuja linha delicada, cores pálidas e rabiscos azuis adornam todas as páginas fazendo pensar em bd amarelada pelo tempo, há muito riscada por crianças, reiterando a ligação nostálgica com o passado.
Com um primeiro número que apresenta novidades e pisca o olho à encarnação anterior (não confiar em Darius Dax e a representação de Zayla Zarn), "Supreme Blue Rose" vem reforçar a noção de que uma construção sólida precisa de bons alicerces. Neste caso particular, ironicamente, essas bases são a continuidade anterior da personagem.
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