23 de Outubro de 2014
Embora com um dia de atraso, continuamos a nossa visita aos bastidores do AmadoraBD 2014.
Desçamos, então, até ao piso -1.
Desçamos, então, até ao piso -1.
Relativamente ao ano passado há algumas mudanças em termos de disposição. À entrada da sala deparamo-nos com o espaço comercial que será ocupado pela Loja do AmadoraBD e pelos diferentes vendedores.
A necessidade de invenção por motivos económicos é mais uma vez realçada e recorre-se a mais um argumento: o ecológico. A reciclagem de materiais de cenários é imperativa e, aparentemente, alguns dos painéis usados remontam aos tempos iniciais do festival com 20 anos de uso.
Neste piso podemos encontrar, distribuídas em sentido horário, as seguintes exposições:
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| Ao nível das crianças. |
1) Catarina Sobral - Prémio Nacional de BD 2013: Ilustração de Livro Infantil.
A tradição portuguesa na ilustração infantil é forte e temos inúmeros prémios internacionais nessa área (palavras do sr. director).
Catarina Sobral é a vencedora dos PNBD 2013 na área da ilustração infantil e, como é agora comum, tem direito a exposição própria. Esta exposição terá em conta o público alvo da autora e teremos uma colocação considerada dos quadros expostos.
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| O 3D numa exposição 3D. |
2) Jim Curioso: Viagem ao Coração do Oceano.
O mais recente livro publicado pelas Edições Polvo surpreende não só por não se tratar per se de uma banda desenhada mas também por investir na única moda verdadeiramente eterna - o 3D.
Importada de França, esta exposição sobre a obra de Matthias Picard vai exigir dos visitantes o uso de óculos 3D, como não podia deixar de ser.
3) BDLP - Prémio Nacional de BD 2013: Melhor Fanzine
A Banda Desenhada de Língua Portuguesa (BDLP) é uma colaboração entre o estúdio angolano Olindomar e o Grupo português Extractus, trata-se de um fanzine de publicação semi-regular e que faz a ponte entre o espaço bedéfilo angolano e português.
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| Super Suíno. |
4) A exposição dedicada ao BDLP encontra-se intercalada por outra dedicada a Osvaldo Medina, recipiente do Prémio Nacional de BD 2013 na categoria de Melhor Desenho de Autor Português, pelo seu trabalho na obra Super Pig: A Roleta Nipónica. Embora seja dedicada primariamente a essa obra julgo que também fará parte da exposição uma recapitulação da carreira de Osvaldo Medina enquanto autor de bd. No momento da visita, esta secção do piso encontrava-se em plena colocação dos quadros que iriam ser expostos.
5) Henrique Monteiro - Prémio Nacional de BD 2013: Melhor Álbum de Tiras Humorísticas.
Em continuação com o esquema das coisas, mais uma exposição dedicada a um dos vencedores do PNBD, desta feita, na área do Cartoon.
6) Sala de Projecção - onde se apresentarão várias animações em colaboração com a Festa da Animação 2014.
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| "Toomi!" |
7) Surfista Prateado - Prémio Nacional de BD 2013: Clássicos da 9ª Arte.
A personagem criada por Stan Lee e Jack Kirby em 1966 tem exposição própria já que ganhou o prémio Clássicos da 9ª Arte o ano passado. Nesta altura já se suspeita um padrão...
Há ainda um espaço dedicado ao Atelier de banda desenhada, para miúdos e graúdos que se queiram aventurar na criação de uma bd.
Para além destes, temos ainda os locais de exposição dos participantes no Concurso Nacional e uma exposição específica dos 25 anos do FIBDA intitulada "25 anos, 25 autores, 25 cartazes" que não precisa de outro tipo de descrição.
De regresso ao piso 0, houve uma sessão para esclarecimento de dúvidas onde a timidez geral surpreendeu, principalmente, por contrastar com as vozes onlines tão activas que têm discutido fervorosamente este festival nos últimos tempos.
Após isso, foi-nos permitido ir à sala de emolduração, onde se pôde observar as diversas obras a serem expostas no espaço para as publicações portuguesas de 2013 e alguns originais manipulados cuidadosamente na sua preparação para estas próximas duas semanas.
Comentários finais:
O FIBDA ou AmadoraBD ou o que lhe quiserem falar é o maior festival português de banda desenhada que, embora tenha tido cortes recentes consideráveis, continua a usufruir de um orçamento "decente" para a sua realização.
Este esforço por parte da câmara Municipal da Amadora traz-nos muita alegrias como amantes da nona arte mas também traz muitas preocupações. A principal tem que ver com a divulgação do festival que é, todos os anos, deixada para a última hora.
A ideia de uma visita de bastidores parece-me uma boa alternativa a uma conferência de imprensa já que permite uma exploração do terreno. Mas esta visita traz consigo aspectos menos positivos, pois permitiu perceber que embora resulte de "um trabalho de mês e meio" (palavras do Director Nelson Dona), a 4 dias da sua abertura ainda havia um longo caminho para percorrer.
Outra preocupação minha tem que ver com a dependência do festival (mais de metade das exposições) dos premiados do ano anterior. Compreende-se que manter as coisas a nível nacional permita uma certa contenção de custos mas há mais opções para além da autofagia que se verifica.
Como positivo temos um excelente trabalho de cenografia e um festival de nível internacional em terras lusas a um custo bastante acessível.
Apesar das críticas, a verdade é que o AmadoraBD realiza-se todos os anos, tem impacto e alimenta polémicas (que não é necessariamente negativo, já que dá algum dinamismo ao nosso nicho).
Este ano vou principalmente pela exposição "Galáxia XXI" e também pela curiosidade de ver o espaço completo em todo o seu esplendor. Recomendo vivamente a ida.
21 de Outubro de 2014
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| O edifício da Câmara Municipal. |
À chegada à Amadora deparamo-nos com a Câmara Municipal e o seu estandarte comemorativo dos 35 anos do Município - nesse mesmo local, há dois anos, estava o equivalente para o AmadoraBD.
A pouco de 100 metros da estação, a paragem de autocarros (apanhei o 143 mas há outros) para o Fórum Luís de Camões, o local de realização do Festival já há alguns anos. A viagem até à Brandoa é rápida e em 15 minutos somos deixados praticamente à porta do Fórum.
A alternativa seria estar às 11 horas no Marquês e aproveitar o transporte garantido pela organização.
"Mas que história é esta?"- podem perguntar.
Bem, para minha surpresa, a semana passada, recebi um e-mail com um convite para uma visita de imprensa ao AmadoraBD.
Tratava-se de uma visita de antecipação (ao que parece, preferível a uma conferência de imprensa) ao 25º AmadoraBD, ao núcleo central da exposição com direito a apresentação da programação, obras e materiais, cenografias, etc.
"Mas que história é esta?"- podem perguntar.
Bem, para minha surpresa, a semana passada, recebi um e-mail com um convite para uma visita de imprensa ao AmadoraBD.
Tratava-se de uma visita de antecipação (ao que parece, preferível a uma conferência de imprensa) ao 25º AmadoraBD, ao núcleo central da exposição com direito a apresentação da programação, obras e materiais, cenografias, etc.
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| A literal recepção do AmadoraBD. |
À volta da nossa pequena comitiva (que incluía repórteres do TVAmadora e Antena 1, algumas caras conhecidas do mundo blogueiro e outras que desconheço), o bulir de quem tem que ter um festival pronto em 4 dias - os cenários já completos, faltando montar ainda a maioria das exposições e uns retoques finais.
O discurso inicial referiu o empenho da Câmara no âmbito da Cultura apesar dos constrangimentos orçamentais (Alguém pergunta: "Qual foi o orçamento deste ano?". A resposta: "510 mil euros". Em temos o FIBDA contava com mais do dobro desta quantia mas como se diz há mais de 10 anos: "É a crise..."), a etnografia dos visitantes (referência ao inevitável estudo feito por Helena Santos com quase 10 anos) e os objectivos actuais.
A visita inicia-se pelo espaço onde decorrerá a exposição dos 75 anos do Batman, numa parede amarela podemos observar uma cena com estilo de desenho semelhante ao Bruce Timm - a Liga da Justiça vê através de um portal duas figuras maléficas (só me lembrei de tirar fotos mais tarde mas, para os mais curiosos, essa imagem pode ser encontrada noutros blogues bedéfilos). A exposição é comissariada por Lawrence Klein e José Miguel Lameiras, o primeiro fundou e foi director do Museum of Comic and Cartoon Art em Nova Iorque e o segundo é já um conhecido veterano nestas lides da bd portuguesa, para além de historiador, conseguem encontrá-lo muitas vezes atrás do balcão da Dr. Kartoon em Coimbra.
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| Quase no ponto. |
O hábito de expor os trabalhos dos premiados do ano anterior e as efemérides (cada vez mais, parece que não se inventou mais nada novo a partir de determinada altura) parecem ter-se tornado uma constante do festival.
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| 2013 em revista. |
Aqui realizar-se-á a exposição do ano editorial português, diferente este ano porque irá - de forma justa, julgo - incluir mesmo os trabalhos que não foram nomeados para os Prémios Nacionais de Banda Desenhada (PNBD).
Infelizmente, o regulamento dos PNBD acaba por excluir muitas obras interessantes que são prejudicadas por não ter nenhum tipo de promoção em termos de FIBDA.
Lá ao fundo, o espaço para os "autógrafos desenhados" que não foi particularmente realçado mas também não havia grande coisa para se mostrar mas certamente uma das áreas que terá mais movimento durante estes próximos fins-de-semana.
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| A tentação. |
E relativamente ao piso 0 do AmadoraBD estamos mais ou menos falados. Amanhã "descemos" para as restantes exposições.
Finalmente, quero deixar os meus agradecimentos a Helena César, a assessora de imprensa do AmadoraBD (e a responsável por esta visita).
Finalmente, quero deixar os meus agradecimentos a Helena César, a assessora de imprensa do AmadoraBD (e a responsável por esta visita).
3 de Outubro de 2014
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| "A cure for death." |
Grant Morrison & Frazier Irving
Legendary Comics, 2014
32 págs., tetracromia, floppy
Raymond Spass é um argumentista em Hollywood cujos êxitos são já uma memória distante. Spass (diz-se "space") têm em mãos um pedido de um dos grandes estúdios: uma história de ficção científica distópica.
A história de Max Nomax, génio criminal intergalático, sentenciado a servir uma pena perpétua literalmente à beira de um buraco negro, surge-lhe num transe induzido por sexo, drogas, álcool e algo mais, menos prazeroso. Este último elemento leva-o a tentar o suicídio quando é bruscamente interrompido por Max Nomax em pessoa.
É muito fácil estabelecer paralelismos com "Flex Mentallo": o protagonista é, à parte de alguns pormenores, praticamente o mesmo; a personagem fictícia que se torna real para auxiliar o seu criador; etc.
Há ainda uma série de questões que ficam por explorar e que dão alguma profundidade a um enredo familiar.
Novamente, Grant Morrison está muito bem acompanhado no que toca à arte. Desta vez, é Frazer Irving que ilustra as palavras de Morrison. Irving foi um dos primeiros autores anglo-saxónicos a despojar-se do material e a desenvolver trabalho exclusivamente digital. O seu estilo gráfico é caracterizado por ser capaz de conjugar um design impecável com um ambiente sombrio (especialmente eficaz nas cenas que não pedem por esse tipo de tratamento pelo seu conteúdo mais leve).
Este primeiro número de "Annihilator" é um óptimo começo para esta série. Tem de tudo: um argumento intrigante e esotérico; arte deslumbrante e, principalmente, um cliffhanger excepcional.
Este é para fazer assinatura.
October 2, 2014
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| "Um...I hope it's this way." |
Eric Orchard
Top Shelf Productions, 2014
96 pages, cmyk, digital
Out of the gate, "Maddy Kettle: The Adventure of the Thimblewitch" is a beautiful looking book. Eric Orchard's illustrations are very distinct, extremely detailed and have a certain affinity to one of Tim Burton's animations. That said, this is Orchard's first graphic novel and it shows.
Maddy Kettle is an eleven year old girl whose parents have been transformed into mice by a witch. When this supposed agressor finally succeds in kidnaping her parents and her floating toad Ralph, Maddy embarks on a journey to rescue her family.
Although the story starts in media res, something not habitual in a children's comic, this relatively sophisticated option doesn't reflect the rest of the narrative that ends up pretty straightforward.
This is the book's weaker side, Orchard when faced with a lull in the story quickly resorts to a deus ex machina solution: every time Maddy has a problem or a situation that seems impossible to resolve, something or someone has an easy answer. Basically, the story lacks foreshadowing and seems to be written on the fly, lacking a certain consistency that irked me.
On a brighter aspect, the characters are recognizable and easily relatable; the story hints at a wider universe and the open-ended ending gives ample space to be explored in future adventures.
Fundamentally, I believe "Maddy Kettle"'s greatest sin is underestimating its target audicence. Children aren´t dumb (they ask questions and want good answers!) and unless this comic is directed at three or four year olds who haven't read or been read a book, someone's child is going to be disapointed by this story. Here's to a more challenging sequel.
29 de Setembro de 2014
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| ""S." "H." "A"..." |
Grant Morrison & Frank Quitely
Vertigo Comics, 2012
112 págs., tetracromia, capa dura
Grant Morrison é uma figura de renome na banda desenhada norte-americana. O escritor escocês salientou-se pelas suas narrativas complexas, com laivos meta-literários e pelo seu amor incondicional pelos super-heróis.
Flex Mentallo tem um lugar de destaque na sua obra extensa. A mini-série de quatro números, publicada pela Vertigo Comics em 1996 (uma linha editorial criada pela DC Comics para ser espaço de criação de histórias com conteúdos mais adultos que não acedessem ao código de auto-censura estabelecido inicialmente nos anos 50), é uma verdadeira apologia aos super-heróis.
Por um lado, Flex Mentallo é uma reacção visceral à banda desenhada de super-heróis influenciada pela desenvolvida nos anos oitenta encabeçada por Alan Moore (Swamp Thing e Watchmen) e Frank Miller (The Dark Knight Returns) e claramente mal interpretada pelos seus epígonos que confundiram temas adultos com acção ultra-violenta e sexo.
O protagonista Flex Mentallo é um super-herói no qual revemos as aspirações da chamada Golden Age of Comics (nos finais dos anos quarenta até ao princípio dos anos cinquenta, os super-heróis vendiam milhões de números por mês. O facto da banda desenhada para os norte-americanos ser uma "indústria" acusa a atitude mercantilista por detrás do termo golden), seja pela sua aparência física, típica do homem forte do circo, como pela sua atitude inocente e idealista - "um escuteiro", como é descrito pelo seu inimigo Hoaxer, uma espécie de mistura entre Lex Luthor e Edward Nigma. A vertente da história que acompanha a aventura de Flex é plena de referências à mitologia super-heróica e à sua evolução ao longo destes 50 anos e denuncia violentamente o enviesamento para narrativas, literalmente, cada vez mais adolescentes, saturadas de violência física e sexualidade forçada.
Por outro lado, Flex Mentallo é expressão da filosofia pessoal de Morrison, que se vê como um shaman capaz de alterar a realidade através de elementos figurativos - sigilos - e que vê na banda desenhada a representação de outros mundos, reais e arquetípicos, situados em planos de existência diferentes dos nossos e como núcleo de influências. Esta visão do mundo informa as narrativas de Morrison e fundamenta os temas recorrentes da sua obra, nomeadamente: a existência de mundos paralelos, a bd como "droga" que altera a percepção e a figura do super-herói como ideal (como se vê no seu projecto mais recente, Multiversity), aliás, como mais autêntico que o nosso mundo "incompleto".
O outro protagonista do livro, um músico relativamente bem sucedido, incapaz de se relacionar sem ser superficialmente e que, após uma tentativa de suicídio, se vê a relembrar o que é realmente importante - a bd que fez em criança (Flex é uma das suas criações de infância que se tornou real para salvá-lo) e o que ela pode trazer a este mundo decepcionante. Julgo que esta personagem se trata do avatar de Morrison, aquele que descobre a verdade sobre o universo e que acaba por se sacrificar para trazer a boa nova a todos. Há algo de auto-comiserativo na personagem que acaba por se tornar narcísico.
Com Morrison nesta meta-aventura, um companheiro de longa data com o qual ainda iria colaborar muitas outras vezes (The Invisibles, We3, All-Star Superman, etc.), Frank Quitely, cujo o estilo gráfico impressiona sempre, um "feio bonito" que, quando quer, mimetiza os estilos de outros grandes nomes, o que se evidencia, por exemplo, na capas de cada um dos números da mini-série (e aquele Kirby descarado...). Quitely é genial. Ponto final.
Para finalizar, algumas coisas que me chamaram a atenção no livro principalmente por terem piada: o nome da personagem titular é um piscar de olhos ao leitor; ironicamente, os indivíduos que reconhecem a existência de super-heróis na história sofrem todos de algum tipo de defeito - loucura, toxicodependência ou alcoolismo - que os coloca à parte da sociedade "ignorante"; o vómito no peito do segundo protagonista funcionando como símbolo ao jeito dos super-heróis; por último, a palavra mágica que o protagonista diz (qual Captain Marvel) antes da sua transformação.
Recomendo este livro a quem o quiser ler, especialmente se tiver algum conhecimento da mitologia dos super-heróis, tantas são as pequenas "jóias" encontradas no livro. 5 estrelas.
September 24, 2014
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| "You can die right here, or you can be reborn." |
Steve Orlando & Artyom Trakhanov
Image Comics, 2014
192 pages, cmyk, digital
Undertow is yet another good sci-fi offering from Image Comics.
Redum Anshargal is a revolutionary. Rebelling against the rigid atlantean society he seeks a new way of life for his people. That belief takes him and his crew to a harsh environment - the surface world - inhabited by a primitive but resourceful opponent - the human race - that is being manipulated by the one being that might help Redum achieve his goal.
Steve Orlando's atlantean epic is set apart from other adventure comics precisely because of its natural if unintended political overview. The excelent cast revolves around Redum but is independent in terms of agenda and personality. Redum's position is similar to "our" own revolutionary figures, he has a past that is fairly hinted at but still misterious and has a target on his back that makes us question the other characters' intentions since they may have been sent by the atlantean powers that be to eliminate him. There is a lot to explore and the reader's interest is easily piqued.
Artyom Trakhanov's art has an expressive vibe to it, specially his colors, that improves throughout the book. His characters are recognizably unique and he gives the story a traditional sci-fi feel with a well developed design sense.
On par with Trakhanov's art are Yaroslav Astapeev's striking lines (in the "Epilogue" and "The Last Gig" segments) that hopefully will return to the book or, even better, find a well deserved place of their own in another comic.
The main story is backed up by shorter tales that star different characters of the Undertow universe, trying to explore other aspects - historical, sociological and even philosophical - of the atlantean society. Unfortunately, they add little to the reader's enjoyment of the primary narrative.
If you like epic sci-fi adventures with a world of their own and a greater depth to their story, Undertow is for you.
P.s.: This book was read through NetGalley. Once again (Displaced Persons suffered from the same), the image quality made the reading at some points (most notably the "The Last Gig" story) very difficult. This choice is understandable since piracy is a major concern in any digital medium, but how can you ask someone to review something if that person doesn't have the conditions to do it?
19 de Setembro de 2014
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| "...we will rise again." |
Rick Remender & Greg Tocchini
Image Comics, 2014
31 págs., tetracromia, floppy
Há pouco mais de 10 anos a ficção científica parecia não ter lugar nos comics americanos, os poucos exemplos com qualidade pareciam relegados às estantes dos entendidos do género.
O recente "segundo advento" da Image Comics trouxe consigo alguns títulos de ficção científica interessantes e Rick Remender é um dos homens do leme desta nova vaga (já em 2005 andava a escrever Fear Agent que acabou por vingar tanto por persistência como por qualidade). Desta feita, Remender apresenta-nos Low, uma história de ficção científica passada num ambiente subaquático.
A espécie humana está novamente a beira da extinção, o sol está a expandir e o refúgio da radiação crescente é encontrado na profundidade dos oceanos.
Os Caine são os líderes de uma comunidade nómada que procura uma "terra" prometida improvável. As contrariedades são muitas mas o fardo é suportável com o auxílio do Helm Suit, um exosqueleto codificado geneticamente de uso exclusivo da família Caine. Mas quando o fato é alvo de um ataque por piratas que podem fazer os Caine?
Os Caine são os líderes de uma comunidade nómada que procura uma "terra" prometida improvável. As contrariedades são muitas mas o fardo é suportável com o auxílio do Helm Suit, um exosqueleto codificado geneticamente de uso exclusivo da família Caine. Mas quando o fato é alvo de um ataque por piratas que podem fazer os Caine?
Relativamente à escrita e enredo, o diálogo é engraçado, há uma série de perguntas e referências que existem para aguçar apetites e dar uma ideia de um universo maior por detrás de uma narrativa que acaba por ser algo familiar.
Remender é sempre bem acompanhado. Greg Tocchini traz muito estilo à história, com um excelente design da cidade e dos veículos. Uma crítica que se pode fazer ao desenho tem a ver com a caracterização das personagens que são algo semelhantes em termos de expressão facial. Este pormenor que por vezes falta ao traço de Tocchini é parcialmente compensado pelas suas cores que, infelizmente, por vezes, chegam a ser um pouco opressivas, podendo ter optado por uma palete menos garrida.
Para um primeiro número há muito para digerir e acaba de forma a que o leitor queira ler o próximo, portanto, cumprindo de forma competente o seu principal objectivo. A acompanhar.
5 de Setembro de 2014
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| "...but I won't be in his debt." |
Dan Abnett & I.N.J. Culbard
Dark Horse Comics, 2014
22 págs., tetracromia, floppy
A paz não é só um desejo esperançoso proferido por uma miss ofuscada pelos holofotes, é também angústia e miséria para aqueles que vivem de esmagar crânios com espadas rombas e pesadas.
Um grupo de mercenários medievais percorre uma paisagem bucólica, a vida entre as campanhas é difícil e a fome começa a sobrepor-se à moral, o conflito é forma de subsistência e os céus estão prestes a responder às preces resignadas do grupo. Literalmente.
"Dark Ages" é uma espécie de "Guerra dos Mundos" quinhentos anos antes.
É uma leitura demasiado rápida, o conflito é a principal força motriz da história e a principal função deste primeiro número é levantar questões. Há uma tensão religiosa subjacente ao texto, por um lado temos soldados com uma atitude quase ateísta motivada por uma vivência de privações e de morte, por outro, procuram auxílio num mosteiro que é mais do que parece pois aguardava a chegada dos visitantes - os de outros mundos. Não sei se associar os adeptos religiosos às monstruosidades destrutivas será uma crítica pouco subtil à religião. Vamos ver.
A simplicidade também se encontra no plano visual, os desenhos limpos de Culbard poderão não ser do agrado de todos (não é o meu caso), especialmente daqueles que procuram os pormenores macabros de uma amputação.
Julgo tratar-se, muito provavelmente, de uma história que poderia ser contada em menos páginas e que ficaria muito bem na revista britânica 2000 AD. Não estou a ver um público americano a perder muito tempo com esta bd tendo em conta as muitas e boas alternativas que tem agora à sua disposição.
"Dark Ages" é uma espécie de "Guerra dos Mundos" quinhentos anos antes.
É uma leitura demasiado rápida, o conflito é a principal força motriz da história e a principal função deste primeiro número é levantar questões. Há uma tensão religiosa subjacente ao texto, por um lado temos soldados com uma atitude quase ateísta motivada por uma vivência de privações e de morte, por outro, procuram auxílio num mosteiro que é mais do que parece pois aguardava a chegada dos visitantes - os de outros mundos. Não sei se associar os adeptos religiosos às monstruosidades destrutivas será uma crítica pouco subtil à religião. Vamos ver.
A simplicidade também se encontra no plano visual, os desenhos limpos de Culbard poderão não ser do agrado de todos (não é o meu caso), especialmente daqueles que procuram os pormenores macabros de uma amputação.
Julgo tratar-se, muito provavelmente, de uma história que poderia ser contada em menos páginas e que ficaria muito bem na revista britânica 2000 AD. Não estou a ver um público americano a perder muito tempo com esta bd tendo em conta as muitas e boas alternativas que tem agora à sua disposição.
September 1, 2014
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| "No colaboration. No capitulation." |
Greg Rucka & Michael Lark
Image Comics, 2014
104 pages, cmyk, digital
The second volume of Lazarus continues to explore the dystopian future where the stratification of society is taken to an extreme.
"Lazarus" is the story of Forever "Eve" Carlyle, a genetically engineered human whose sole purpose is the protection of her family, one of the elites that control society. Eve is starting to doubt her place in the world, specially after receiving a message that sugests that she is being tricked into believing that the Carlyles are her true family. But that seems to be a notion that will be further explored in upcoming volumes.
In this volume the focus is cast upon the Barrets, a family of "waste" (the caste in the lower strata of society) and their struggles to make a living in a world where resources are manipulated by a small group of people and where they can be taken hostage by their whims and desires. After losing most of their possessions due to a natural disaster, their only chance to survive is entering the "Lift", a process where through extensive and rigorous tests, a few of the "waste" can rise in social significance by becoming "serf", the servants of the upper families. For this chance they are willing to sacrifice everything, and unfortunately for the Barrets, at a greater cost than expected. But not all "waste" are willing to participate in what is a clear mechanism of social control and see the "Lift" as an opportunity to strike back at their oppressors.
Another element of this book, we delve further into Eve's relationship with her father and sibblings, particularly her sister Johanna, and understand that, very much like the lower caste, the elite also have their parts to play in the name of family.
Rucka is an excelent all-around writer and Lark is an amazing artist with his realistic but unstilted representations that are flawless in conveying motion and emotion. I just can't praise this book enough.
If you're into post-apocalyptic stories with a heart, this is your book.
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