17 de Novembro de 2014




Lamentamos informar que, devido a compromissos profissionais, a programação deste blogue será interrompida. Planeamos um regresso à normalidade no início de 2015.

16 de Novembro de 2014





GOTHAM ACADEMY #1
Becky Cloonan, Brenden Fletcher & Karl Kerschl
DC Comics, 2014
32 págs., tetracromia, floppy

O universo do homem-morcego já sofreu inúmeras expansões - múltiplos títulos com Batman, outros tantos com personagens relacionadas como Robin ou Nightwing ou qualquer coisa que tenha uma ligação ténue com a personagem que mais vende na DC Comics.
Gotham Academy é, se calhar, o título mais periférico da família morcego, tendo sido descrito como uma espécie de Hogwarts na cidade natal de Bruce Wayne.
A equipa criativa por  detrás deste título era prometedora (Becky Cloonan, Brenden Fletcher e Karl Kerschl já têm provas dadas) mas este primeiro número desaponta.
Primeiro, o enredo é praticamente inexistente, a narrativa foca-se principalmente na personagem de Olive (uma criatura torturada - beneficiar de uma bolsa de estudo numa escola de meninos ricos nunca corre bem - que tem um segredo que a mudou radicalmente e muito provavelmente relacionado com Batman) e nos seus monólogos interiores que sem revelar nada acabam por se tornar vagos e repetitivos.
A intenção óbvia de criar uma atmosfera de mistério com várias questões por responder, algo que muito me agrada numa história, não é bem concretizada principalmente devido à excessiva familiaridade dos conceitos abordados e a lentidão com que são explorados.
E como não podia deixar de ser, Bruce Wayne faz uma visita ao colégio, legitimando  esta introdução e ancorando-a de forma pouco subtil no universo da DC Comics.
O desenho encontra-se algo simplificado comparado com o que Kerschl nos habituou, tem algumas afinidades com o estilo manga mas permanece "ocidental". Kerschl tenta, ainda, inovar em termos de layout de página mas estas inovações acabam por não alterar de forma substancial a leitura e são, na minha opinião, desnecessárias.
De qualquer forma, o aspecto visual acaba por ser o ponto mais forte do livro.
Concluindo, Gotham Academy tenta ser um título diferente no universo de Batman, optou por uma atmosfera e personagens pouco típicas e é ambicioso na sua expansão desse mundo mas acaba por não impressionar.

12 de Novembro de 2014



CHEW, VOL.1: TASTER'S CHOICE
John Layman & Rob Guillory
Image Comics, 2009
128 págs., tetracromia, digital

Nem de propósito, a G. Floy publicou recentemente, em português, o primeiro volume de Chew, a história de um detective "diferente".
Tony Chu é um cibopata, ou seja, é capaz de ter a noção da história completa das coisas que ingere. Este seu poder tem grandes implicações na sua vida pessoal e profissional, muitas vezes tendo de pôr de parte a moralidade vigente e recorrer ao canibalismo para resolver casos mais difíceis.
Chu foi recrutado pela FDA (Food and Drugs Administration) para fazer parte de uma equipa especializada em crimes que envolvam comidas ilegais, como, por exemplo, carne de galinha, cujo consumo nesta realidade foi proibido após a gripe das aves.
Estranhamente, o único alimento imune ao seu dom é a beterraba.
Este tipo de situações bizarras é gerido de uma forma perita por John Layman que desenvolve uma narrativa empolgante desde o início do livro.
Layman tem precisamente como principal ponto forte o seu sentido de humor que se encontra num contínuo entre o absurdo e o nojento.
O elenco peculiar só faz com que a leitura seja ainda mais divertida, especialmente se tivermos em conta a interacção de Chu com o seu superior.
Para além desta vertente mais engraçada, Chew tem um à vontade com a introdução de  sub-enredos intrigantes que conferem à narrativa principal uma possibilidade de longevidade praticamente infinita. Cada novo capítulo introduz mais uma questão que, embora fique por resolver, acaba por não interferir com a narrativa central, muito pelo contrário, expande-a.
O desenho de Rob Guillory tem algo de desengonçado e estranho, esta idiossincrasia pode não ser do agrado de todos mas adapta-se intimamente ao ambiente da história, seja dos momentos mais sinistros  à hilaridade de uma piada estúpida.
Aquele primeiro momento que Chu prova a canja e tem a sua revelação é magistralmente representado por Guillory e talvez seja o melhor momento do livro.
Há algo na leitura de Chew que me faz pensar em Dog Mendonça e Pizzaboy, se calhar tem que ver com a semelhança física entre os protagonistas de cada livro ou mesmo entre os traços de Juan Cavia e Rob Guillory. Pode, também, e mais provavelmente, ser só impressão minha.
No fim de contas, este primeiro volume de Chew não tem como objectivo dar ao leitor a experiência de uma leitura completa mas sim um aguçar de apetite para o que aí vem.
É uma leitura que tem tudo a ver com o que eu considero entretenimento: tem piada e um excelente conceito a fundamentar uma história plena de potencialidades.
Uma óptima escolha da G. Floy no meio de outras óptimas escolhas que constituem esta sua nova fornada de títulos.

P.s.: Esta foi a última das bds incluídas no Humble Bundle da Image Comics. Foi uma longa e épica jornada mas finalmente acabou. 
Na verdade, já tinha lido este primeiro volume em revista mensal mas foi há tanto tempo que já não me lembrava bem do conteúdo, isso fez com que atrasasse cada vez mais esta leitura mas, agora, em retrospectiva, percebo que não fazia sentido essa hesitação, Chew lê-se muito bem uma segunda e, porventura, terceira vez.

November 9, 2014




DOOMBOY
Tony Sandoval
Magnetic Press, 2014
136 pages, cmyk, digital

This year, in June, at the Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja (one of our dearest comics festivals), "As Serpentes de Água" (The Water Snakes) was released by our own Kingpin Books.
Unlike the usual portuguese editions of foreign authors, Tony Sandoval, the author, was present. To my misfortune, I was not.
I knew of Sandoval from my usual visits to DeviantArt, usually just for a quick look and without a great deal of interest. Reading his latest work - "Doomboy", published by the unknown (at least to me) Magnetic Press - made me realize the misfortune of not attending the FIBDB.
Doomboy is a story about how someone, after a great loss, can overcome grief through artistic means, in this case, music.
D. is a young man, known for his love of heavy metal, that seems to have no other occupation besides going to garageband concerts with his friends. Sandoval has a very intimate knowledge of this medium, since, according to his biography at the end of the book, comics and Metal are his major interests. 
But although a prefered scenario, Doomboy is less about the heavy metal scene and more about dealing with the pain and other emotions associated with the death of someone dear to us.
The characterization of the main character is something of a misnomer when you consider how little we know little about D., but his emotional conflict is well explored  and it is easy to empathize with him.
More than D., this comic is dependent on its cast. Doomboy's friends and acquaintances are, at times, better developed characters than the protagonist and even when some of them could easily fall into stereotypical descriptions, the fact is that Sandoval skillfully avoids the easy recourse to cliché and is able to create some "real moments" in the narrative.
Another great  strength of the book is its atmosphere, the ethereal art and lovecraftian representations amplify the sentiments expressed to the point of them being, quite literally, epic.
A more subtle point is the pacing. Tony Sandoval is an accomplished cartoonist, particularly in how he manipulates space and time on the page. There are several moments that flow in an extremely natural way and, above all, in an intelligent way.
You finish the book with a sense of satisfaction and there's even a hint about a possible sequel that makes you eager for a continuation. A job well done.
If you like stories focused on the exploration of the inner world of the characters that are accompanied by stunning artwork, this is your book.

9 de Novembro de 2014